Bernie Sanders ainda tem chances?

Enquanto as primárias republicanas causam maiores emoções e possibilidades neste ano, do lado democrata a novidade foi Bernie Sanders, um senador que se define como socialista, disputar a nomeação para suceder Obama como presidente em condições razoavelmente similares às de Hillary Clinton, ex-secretária de Estado e ex-primeira dama. O entusiasmo dos apoiadores de Sanders continua mesmo depois de maus resultados no Sul, que levaram a uma distância em número de delegados muito difícil de superar.

Mas nem por isso Sanders encerrou sua campanha. Pelo contrário: o senador entrou na disputa pensando em fazer suas posições mais radicais sobre política econômica e o welfare state se tornarem assunto na campanha democrata. Esse objetivo foi atingido. Mas haverá ainda chance para conseguir o prêmio maior, a nomeação, derrotando Hillary?

No sábado, a campanha de Sanders conseguiu um excelente resultado em três estados: Alaska, Havaí e Washington (não confundir com a capital; trata-se do estado mais a noroeste dos EUA fora o Alaska, onde fica a cidade de Seattle). A projeção do FiveThirtyEight dizia que Sanders precisava conseguir uma vantagem somada de 20 delegados nesses três locais; o resultado final foi de 66 delegados de vantagem sobre Hillary, encurtando a distância geral para algo em torno de 230 delegados.

Faltam ainda mais de 1700 delegados distribuídos de acordo com os resultados eleitorais, fora os 712 superdelegados que podem escolher quem quiserem (a maioria destes apoia Hillary, mas até a Convenção podem mudar de ideia). Isso quer dizer que Sanders, para empatar ou ultrapassar Hillary, precisa conquistar aproximadamente mil delegados até o fim das primárias.

É possível? As margens altas de vitória de Sanders nos últimos estados parecem sugerir que sim, mas isso não está claro. Afinal, os três estados que votaram no sábado fizeram caucus, e a campanha de Sanders tem conseguido seus melhores resultados nesse tipo de disputa. Em primárias convencionais, Sanders conseguiu resultados amplos apenas no seu estado, Vermont. Quase todos os próximos estados realizam eleições convencionais.

O próximo estado será Wisconsin, no dia 5 de abril, onde estarão em disputa 86 delegados. Sanders precisa de um resultado muito bom ali: pelo menos 10 pontos de vantagem sobre Hillary. Mas as pesquisas indicam que Sanders está atrás em Wisconsin, e mesmo que consiga superar isso no dia da eleição dificilmente o fará pela margem necessária.

Mas Wisconsin não é o principal objetivo de uma tentativa final de Sanders. A disputa maior de abril será em Nova York, com seus 247 delegados, no dia 19. Sanders terá ali um grande desafio, pois Hillary Clinton foi senadora do estado por oito anos e possui muito apoio no Partido Democrata local. Na semana seguinte, no dia 26, outros cinco estados do nordeste americano (Maryland, Delaware, Pensilvânia, Rhode Island e Connecticut) farão suas primárias. Em todas, Sanders precisa vencer e por boa margem.

Digamos que Sanders consiga tudo isso. Ainda faltariam muitos delegados, a maioria deles na Califórnia. Mas o maior estado americano vota somente no dia 7 de junho, o que deixa a campanha em estado quase estático por mais de um mês, com poucos estados votando em maio. Sanders precisa produzir um fato político novo que o faça superar as dificuldades com o eleitorado negro e latino, única forma de fazer seu apoio crescer.

Em suma, as chances de Sanders são muito pequenas. Se ele obter muito mais delegados que Hillary nas últimas disputas, pode argumentar que seu ritmo é muito melhor que o de Clinton, o que justificaria o apoio do partido à sua candidatura. Mas o mais provável é que não consiga, especialmente se Hillary vencer em Nova York.

As chances de Bernie Sanders hoje são muito inferiores às de Ted Cruz no lado republicano, por exemplo. Mas sua campanha deve ir até o fim, provavelmente apresentando seu nome à Convenção Nacional Democrata na primeira votação. Isso em si já é uma vitória: uma campanha feita sem dinheiro dos bilionários, das grandes empresas e dos bancos, com uma mensagem considerada radical, chegou bem longe e pode ditar os rumos do Partido Democrata nos próximos anos.

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